Como entender o Inglês?

Se você está lendo este artigo, provavelmente é o que eu chamo de "peregrino de escolas de inglês". Você conhece todas as escolas de marcas famosas, nacionais e regionais da sua cidade. Porém, o problema persiste: você sente que não evolui no inglês e não sabe o que fazer.

Neste artigo, quero mostrar como vejo o inglês de uma maneira ampla. Vou compará-lo ao português para que você entenda o que é a língua inglesa e como usá-la de maneira eficiente. Afinal, fazer a ponte entre idiomas é necessário para que você se torne bilíngue.

Você tem que entender o que pode e o que não pode fazer em cada idioma. Cada língua tem regras e estruturas de frase que devem ser seguidas para que a comunicação ocorra de maneira eficiente.

A Origem e a Família dos Idiomas

O primeiro ponto é entender a origem.

O português está na família das línguas que vêm do latim. Entre elas temos também: espanhol, italiano, francês, etc. As regras gramaticais, fonéticas, silábicas, estruturação de frases e pronúncia seguem um padrão similar entre elas.

O inglês vem da família de línguas germânicas. Entre elas temos também: alemão, holandês, sueco, dinamarquês, norueguês, etc. As regras gramaticais, fonéticas, silábicas, estruturação de frases e pronúncia seguem um padrão similar entre elas.

Agora vamos aos desafios. Não se pode querer aprender inglês sem estar aberto a novas regras. É preciso uma nova maneira de pensar para montar frases. Línguas latinas têm regras próprias que, na maioria das vezes, não batem e são totalmente diferentes das línguas germânicas.

Um problema que percebi rapidamente na época dos lockdowns, quando comecei a dar aula, é que as pessoas, às vezes sem perceber, querem impor as regras do português "à força" no inglês. E quando percebem que não dá certo, frustram-se e abandonam os cursos com a famosa frase: "inglês é muito difícil".

Eu discordo. Muitas vezes é apenas uma questão de estar disposto a aprender algo novo e diferente. O inglês é uma língua germânica, diferente da nossa.

Breve História da Língua

A história da língua inglesa é muito longa, mas vou resumir. Os povos nativos na ilha que hoje conhecemos como Inglaterra falavam Saxão. Durante os séculos, houve várias invasões de outros povos.

Romanos trouxeram o latim, depois houve invasões de povos da Noruega, Dinamarca e Alemanha. Mais tarde, houve invasões e guerras com os franceses. Cada povo deixou uma marca profunda na língua. Isso alterou o idioma drasticamente. Também aconteceram reformas gramaticais que simplificaram a língua para o que hoje conhecemos como inglês moderno.

O francês causou uma mudança mais drástica recentemente (nos últimos 500 anos), enquanto as outras línguas germânicas permaneceram mais puras, com pouca interferência externa.

Para quem fala português, é muito mais difícil aprender alemão, holandês ou norueguês, porque essas línguas não sofreram a influência forte do francês, que é uma língua irmã do português. Já o inglês tem muitos vocabulários e regras de estruturação parecidos com o francês, o que torna o aprendizado mais fácil para nós, brasileiros.

A Importância da Base e dos Fundamentos

Muitas vezes, o problema está na base, nos fundamentos. Escolas tradicionais nem sempre focam nesses pontos, o que pode prender o aluno em metodologias onde ele passa anos sem evoluir. Além disso, às vezes o próprio aluno evita aprender esses pontos por achá-los "chatos", mas eles são essenciais. Não tem como escapar.

Vamos à base. O verdadeiro vilão do inglês não é o verbo to be, é na verdade o verbo to do. Na hora de identificar o "inimigo" inicial, muitos alunos olham para o lado errado.

Veja o inglês da seguinte maneira: tem 6 estruturas que você precisa aprender para falar o idioma de maneira independente e fluente (2 estruturas no presente, 2 no passado, 2 no futuro).

Também tem 12 verbos que você precisa saber usar com precisão. Os 3 mais usados são: be, do, will.

  • Be e do são usados para falar no presente e passado.
  • Will é usado para falar no futuro.

No presente, uma estrutura vai usar be, e outra vai usar do. No passado, a mesma coisa. Ou seja, de 6 estruturas importantes, 4 precisam usar be e do.

Se você não entende como usar esses 2 verbos, terá dificuldade para falar e entender qualquer frase curta no presente e passado. Basicamente, não entender como usar os verbos be e do vai prejudicar o entendimento de 67% da língua inglesa. Duas palavras têm esse poder de dificultar o aprendizado desde a primeira aula se não forem ensinadas corretamente.

O Verdadeiro Vilão: Verbo DO

Eu prometi exemplos. Vamos começar pelo vilão: DO. Tradução: DO = FAZER.

  • Do: verbo no presente.
  • Did: verbo do no passado.

Frases de exemplo:

I do (Eu faço)

I did (Eu fiz)

Até aqui tudo bem. O problema começa na negativa:

I do not do (Eu não faço)

I did not do (Eu não fiz)

Aqui, as pessoas tendem a traduzir tudo ao pé da letra. Na mente de muitos, a frase "I do not do" soa como "Eu faço não faço", e "I did not do" como "Eu fiz não faço". Eu já vi essa situação várias vezes. É preciso esquecer o que faz sentido em português. Muitas pessoas apegam-se à "segurança" da sua língua materna.

De maneira resumida: o verbo do pode ser principal ou auxiliar.

Se for principal, traduz-se como fazer, faço, fazemos, etc. Porém, NA MAIORIA DAS VEZES, o verbo do é usado como auxiliar. Você TEM que colocá-lo na frase para fazer sentido gramatical, mas "mentalmente" você não pode traduzi-lo.

Eu tinha dificuldade de mostrar a repetição óbvia e clara de padrões. Veja com calma:

I do not help (Eu não ajudo)

I do not eat (Eu não como)

I do not work (Eu não trabalho)

I do not ask (Eu não pergunto)

I do not buy (Eu não compro)

I do not sell (Eu não vendo)

Todas as frases estão negando, todas as frases têm o verbo do. Ele simplesmente está lá para mostrar que a frase está no presente e na negativa, mas o do não deve ser traduzido.

Mesmo explicando isso, algumas pessoas ainda oferecem resistência em decorar essas regras. Aí, é necessário comparar com o passado. Vou explicar de maneira simples. Did é o verbo do no passado.

Verbos que terminam com ED devem ser traduzidos no passado.

  • WorkED = Trabalhei
  • HelpED = Ajudei
  • AskED = Perguntei

Vou mostrar frases afirmando e negando no presente e passado.

Presente:

I work (Eu trabalho)

I do not work (Eu não trabalho)


Passado:

I worked (Eu trabalhei)

I did not work (Eu não trabalhei)

Agora olhe essas 2 frases com calma:

I do not work (Eu não trabalho)

I did not work (Eu não trabalhei)

As duas frases negando têm o verbo trabalhar (work) escrito da mesma maneira. Porém, uma frase está no presente e outra no passado. O que diferencia? O verbo do, que simboliza o presente, e o verbo did, que simboliza o passado.

O Work fica igualzinho nessas duas situações. Somente mostrando esse tipo de exemplo, lado a lado, o aluno percebe a importância de aprender as regras de estruturação e "cai na real" de que está entrando em um novo mundo.

O Verbo To Be: Simplicidade que Confunde

Vamos agora falar do famoso verbo to be. Primeiro detalhe: é só um verbo, mas no português ele se traduz para dois verbos diferentes: ser e estar.

Uma vez, falei uma frase contraditória para um aluno: "O inglês e o verbo to be são complicados de aprender porque são, na prática, muito fáceis e enxugados".

Vou mostrar em números. Quantas palavras você precisa aprender em inglês para aprender o verbo to be inteiro?

Apenas 8 palavras: be, am, is, are, was, were, been, being. E o português? Mais de 100 palavras. A maioria a gente nem usa (és, sois, etc.).

Em algumas situações, o inglês é extremamente fácil e simples, e sinto que isso confunde as pessoas, acostumadas com a alta complexidade do português.

Contexto e Traduções Múltiplas

Uma palavra, vários significados. Outro problema é aceitar que uma palavra pode ter mais de uma tradução. A pessoa aprende uma tradução e acha que sabe tudo, frustrando-se quando não encaixa.

Exemplos:

Like:

  • Like = gostar, gosto, gostamos, etc.
  • Like = como

I like you. (Eu gosto de você)

I am like you. (Eu sou como você)

Park:

  • Park = parque
  • Park = estacionar

The park is beautiful. (O parque é bonito)

I park my car. (Eu estaciono meu carro)

Fly:

  • Fly = mosca
  • Fly = voar

A fly is flying. (Uma mosca está voando)

The pilot is flying. (O piloto está voando)

Mesma palavra, pronúncia diferente dependendo da tradução:

  • Live (Lív) = viver
  • Live (Láive) = ao vivo
  • Read (Ríd) = leio (no presente)
  • Read (Réd) = li (no passado)

Um exemplo: Would. O Would serve para montar frases condicionais, hipotéticas, etc. Está complicado de entender? Então vamos colocar um verbo diferente do lado para facilitar.

  • Would be = seria / estaria
  • Would do = faria
  • Would eat = comeria
  • Would like = gostaria

O would sozinho e sem contexto é impossível de traduzir. Você tem que entender COMO usá-lo. Ele é um coringa que encaixa com qualquer verbo ao lado.

Outros exemplos onde o contexto é tudo:

Tear (tem 2 pronúncias e 2 traduções diferentes):

I tear paper. (Eu rasgo papel) (Tear = Tér)

There is a tear in my face. (Há uma lágrima no meu rosto) (Tear = Tír)


Bow (tem 2 pronúncias e 2 traduções diferentes):

Legolas is an archer. He has a bow. (Legolas é um arqueiro. Ele tem um arco.) (Bow = Bou)

Japanese bow when they meet. (Japoneses se curvam quando eles se encontram.) (Bow = Báu)

Ordem das Palavras:

  • Tall = alta
  • Friendly = amigável
  • Beautiful = Bonita
  • Woman = mulher

"A tall, friendly, and beautiful woman." (Uma mulher alta, amigável e bonita.)

No inglês, a ordem das palavras na hora de montar as frases muitas vezes é completamente invertida em relação ao português. Isso acontece direto. A pessoa quer traduzir sempre lendo da esquerda para a direita, mas isso nem sempre dá certo, confundindo na hora de escrever, falar e traduzir.

Como Aprender? A Metodologia

Ok, entendi sobre a língua inglesa, mas como devo aprender?

Aprender e decorar regras é importante, mas sem treino prático a pessoa não vai usar o inglês de maneira natural. Quando comecei a elaborar minha metodologia, eu olhava para o inglês como uma gigantesca estrutura com várias ramificações.

Eu já tinha mentalidade de programador. Eu olhava 2 pontos essenciais: entender as 6 estruturas de frases e aprender como usar os 12 verbos mais importantes.

No meu curso, para alunos básicos, foco somente em ler e escrever durante 2 meses. O aluno vai aprender como montar frases no presente, passado e futuro e também como afirmar, negar e perguntar. Exemplos:

  • I help (Eu ajudo)
  • I do not help (Eu não ajudo)
  • Do I help? (Eu ajudo?)

Em relação aos 12 verbos, eu vejo eles como raízes; é muito difícil ver uma frase em inglês com mais de 4 palavras que não use esses verbos. Se você entender como usa as 6 estruturas e os 12 verbos, aprenderá muito rápido.

Durante os primeiros 2 meses, dou muitos exemplos e exercícios. Forneço sites com materiais e a principal prática será a lição de casa. Peço para os alunos escreverem frases curtas sobre suas rotinas (de 3 a 10 palavras). Isso é muito importante para ganhar autonomia.

Exemplos de lição de casa:

I work as a dentist. (Eu trabalho como dentista)

I wake up everyday at 6am. (Eu acordo todo dia às 6 horas da manhã)

A ideia é o aluno olhar o material de apoio, procurar no dicionário palavras novas e montar a frase olhando as regras. No começo, o aluno terá dificuldade e precisará de ajuda, mas com o tempo ganhará autonomia.

Adicione a isso o fato de que, depois de 2 meses, passo filmes para os alunos traduzirem de maneira dinâmica. Isso cria uma sinergia perfeita: fora da aula, a pessoa escreve e lê; na aula, lê em voz alta e traduz.

Depois de 8 a 12 meses, a pessoa vê uma melhora significativa. A parte curiosa é que, depois de 1 ano, a pessoa fala, ouve e escreve bem, mas admite que esqueceu as regras de estruturação. Ou seja, o aprendizado começa com regras rígidas, mas com o tempo a pessoa fica tão confiante que "esquece" as regras porque aprendeu a usar o inglês de maneira dinâmica e fluída.

É um processo que demora cerca de 2 anos para a fluência. É assim que você deve ver e entender o inglês para aprender de maneira eficiente.